22

Ouvi a música da Lily Allen, 22, agora a pouco. Para você que não sabe inglês ou que não prestou atenção na letra, ela fala sobre uma mulher que aos 22 tinha tudo para dar certo na vida e aos quase 30 é considerada perdedora pela sociedade.

Meu, essa música me fez pensar. Eu já tenho 25 e o que eu fiz da minha vida até hoje? Praticamente nada. Sou formada em Hotelaria há dois anos e meio e não trabalho na área. Meu emprego é bom afinal não é nada difícil, minha chefe é super amiga, fica perto de casa, tem um horário ótimo, mas não paga muito. Moro na casa dos meus pais, o que é muito cômodo, pois todo o meu salário vai para mim mesma, alimentando ainda mais o meu lado consumista. Namoro fixo há quase sete anos, mas como o C. está praticamente na mesma situação que eu, nossa relação não evolui por falta de dinheiro.

O que me parece é que o amanhã reserva muitas coisas para mim. Muitas oportunidades surgirão e muito vai mudar, mas isso nunca acontece. O amanhã nunca vem. Isso tudo está acontecendo por falta de vontade minha de mudar. E por mais que eu tente olhar só para mim mesma, eu não consigo deixar de ver que várias pessoas na minha volta também estão na mesma situação. Fico triste em pensar que meus pais com a minha idade já tinham suas vidas feitas, determinadas. Ao mesmo tempo também penso que na época dos meus bisavós, por exemplo, eles tinham que correr com a vida deles porque a expectativa de vida era bem menor, então aos 30 anos eles estavam no meio da vida deles. Hoje em dia, eu penso que o meio da vida, para muitos, é os 50 anos e, por isso, nós podemos aproveitar mais e prolongar certas fases da vida.

Ainda não sei qual é a conclusão de todos esses pensamentos e não sei se é melhor pensar mais a fundo sobre isso ou esquecer por enquanto e deixar a vida fluir mais naturalmente. Vocês já tiveram pensamentod parecidos?

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3 Comentários

Arquivado em Pensamentos

3 Respostas para “22

  1. Gisa

    Acho que, com o aumento do poder de consumo da classe média, as famílias podem se dar ao luxo de investir mais e por mais tempo na educação dos filhos, e por isso mesmo nós –os filhos — muitas vezes acabamos esticando o tempo de moradia na casa dos pais. No fim, trata-se mais de um investimento a longo prazo: a gente fica dependente por mais tempo, estuda por mais tempo e depois ganha mais $$. Óbvio que, como a classe média tornou-se mais numerosa, os filhos acabam por estabelecer um novo patamar de salário médio, melhor que aquele recebido por alguém que não tenha saído do ensino fundamental, mas, em função da nova competitividade, relativamente pior do que aquele recebido por alguém que portasse um diploma universitário há 30 anos atrás. É a lei de oferta e demanda, não? Também a proliferação de cursos de ensino superior colocou à mesa o que eu gosto de chamar de “direito à mediocridade” — quando o curso não tem bom desempenho nos provões mas mesmo assim continua enchendo as classes; isso acontece muito pq muita gente não está realmente intetessada em aproveitar o curso superior em todos os seus benefícios para a vida e blablablá, mas apenas receber um salário maior. Talvez eu esteja falando besteira, mas ao menos na minha cabeça isso tem alguma lógica.

  2. Beto Mello

    Nina, a tua preocupação é necessária, mas não precisa ser extrema, pois a tua hora irá chegar, principalmente se houver necessidade nesta busca. por enquanto transcrevo um artigo da zero hora dominical que pode ilustrar os teus anseios.
    “Para onde vai a geração Y : umbilicalmente conectada à tecnologia, descompromissada, habituada a uma enxurrada de informações superficiais e em busca da autorrealização profissional, a geração Y revoluciona os costumes e torna-se um dos alvos preferidos de pesquisas que tentam desvendar seu comportamento e tendências de consumo. Formada em regra por jovens de 18 a 30 anos, o recorte etário também chamado de “nativos digitais” tem como principal marca a naturalidade no manuseio de qualquer inovação relacionada a computadores, celulares, internet e outros aparelhos com os quais convivem desde a infância….
    Além do impacto no consumo, a geração Y também sacode o ambiente de trabalho. Um estudo da Ateliê Pesquisa Organizacional, que buscou averiguar a percepção de líderes e gestores de empresas sobre a presença dos jovens nas corporações, mostrou que os veteranos em postos de chefia consideram os novatos descompromissados e sem vínculos a companhia.
    A pesquisa concluiu que, enquanto os mais experientes associam carreira a emprego, os jovens enxergam apenas a oportunidade de realizar seus projetos pessoais de satisfação profissional. Gestores vinculam o trabalho com um fim, para reconhecimento e realização, enquanto a garotada considera-o apenas um meio de satisfação e reconhecimento – mesmo que também queiram ganhar dinheiro. O resultado é a facilidade para mudar de emprego e a criação de conflitos internos.
    – Eles buscam autossatisfação. Dão valor ao trabalho, mas os vínculos maiores são com eles mesmos. Enquanto a empresa oferecer o que para ele é importante, dá tudo de si. Quando não tiver isso, vai embora – analisa Susi Cortoni, diretora da Ateliê….

  3. Qual o teu conceito de “dar certo” e de “perdedora”?

    Acho que vc devia olhar as coisas por outro lado: Vc ainda tem 25, tem um bom trabalho, se dah bem com sua chefe e ainda tem o privilegio de poder estar morando com teus pais (o que te possibilita guardar dinheiro e/ou aproveitar mais a vida).

    “falta de vontade minha de mudar” – desde quando isso eh ruim? Mudar nao significa ter sucesso. Sempre ouvi dizer que conseguir o que vc quer eh facil… dificil eh manter. E isso eh verdade. Nao te apressa em mudar as coisas. Se vc estah feliz com o que vc tem nao vejo motivo nenhum pra desespero. O problema eh nao ter foco e perder o que vc jah conseguiu ateh agora.

    “não consigo deixar de ver que várias pessoas na minha volta também estão na mesma situação” – nao te compara com os outros, ou se o fizer, nao te nivela por baixo. O mais dificil na vida eh identificar os verdadeiros amigos, aqueles que te colocam pra cima e que realmente ficam felizes por tuas conquistas. Te afasta das pessoas com “mentalidade caranguejo”, essas vao continuar te puxando pra baixo…

    ” Fico triste em pensar que meus pais com a minha idade já tinham suas vidas feitas” – pessoas diferentes, momentos diferentes, situacoes diferentes…. nao dah pra comparar. Define tua meta e vai buscar o que eh teu. Ninguem melhor pra saber o que eh melhor pra ti que vc mesma.

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